15 outubro 2010






Daqui da barranca do Iriri, no coração da terra Kaiapó, sentimos os humores da floresta e a cálida umidade do rio.
Vejo que uma certa aridez de Brasilia ressecou minha alma que ficou tão penada e fraca que demorou mais de 24 horas para me alcançar.
Agora, esquálida e quase inerte, ela chega como que buscando asilo...
Recebo-a. 
Meu coração e outros órgãos começam a dessincronizar e faz desaparecer a sensação de oco.
Um morno bafejo me envolve e me devolve a sensação de inteireza.
Acho que posso começar de novo a ser feliz...
Liana está comigo, dedilha meu ditado no computador a luz de velas.
Começam a aparecer algumas certezas no ar:
Lua nova, avermelhada. Pássaros desconhecidos, árvores coloridas cujo nome não sei mas nada disso nos perturba. 
Estamos juntos aqui.
De novo aqui. Graças a Deus, aqui, pois daqui o limite é o céu.
Liana e eu. 
Eu e Liana partilhando os mesmos sentimentos e retomando encontros com a esperança.
RF

22 setembro 2010

Festival da Primavera I

Quem nunca teve, que me desculpe.
Mas quem teve sabe.
A prima é a obra prima de qualquer mortal...
A primadona das memórias pueris, o início e o fim de tudo.
Na vera, vamos falar sério...
O inesquecível é a primeira primaVera!

Rui
Festival da Primavera II

 
A primavera chega atrasada no Cerrado
A explosão de flores já aconteceu.
O que verdadeiramente marca a primavera no Cerrado
são as miríades de folhinhas novas brotando nas galhadas secas.
É o céu que não é azul nem cinza!
E sem ter caído uma gota de chuva sequer,
surge um verde mágico emergindo da secura,
indicando a chegada de um novo tempo. 
dedicado a Gisela Magalhães
Liana
 

Foto Liana



Sendas desconhecidas
Serão as prendas
De minhas vidas
RF

21 setembro 2010

                                         

Ilha de Paquetá, 1973
Calmaria

Quando baixa a poeira das paixões e no peito se dissipa a turbidez do coração, o homem passa por ventanias, aragens, sopros e até mesmo suspiros, sem sobressaltos.
Surge assim a calmaria do saber ter sido...
Não é covardia.
Não é nostalgia.
É, sim, ousadia!
Ousadia de quem trabalha não mais pelas ilusões, mas para pavimentar com diamantes a estrada da vida rumo ao inexorável.
Seja lá o que isso for,
Coraggio!

dedicado a Elke
RF

16 setembro 2010

Coisas de Brasília


Ontem, parados aguardando o sinal da W3 fechar ao lado do Brasília Shopping, avisto do outro lado, naquele esqueleto que vai ser implodido, um ser que observa a cidade causticante nesses meados de setembro.


14 setembro 2010

OS SIMBIONTES

Rio Iriri, 2007

Sonhei que o gerúndio era uma expressão do infinito...
"Estarei indo..."
Pois. Estarei indo p'ros Kaiapós na Pykany
Lá sou amigo do Rei.
Não terei mulher alguma
E nem cama que escolher...
Lá, me fecho, me enclausuro num casulo
e me deixo rolar p'ra dentro de outro mundo.
O das borboletas e jacarés!
Eles, os guaribas, antas e outros bichos 
vivem noutro reino
onde são amicíssimos do Rei,
mas não necessariamente amigos entre si.
Às vezes, 
apenas simbiontes.

agradecimentos especiais a Carmen Figueiredo
RF

09 setembro 2010

 CORAÇÕES ILUMINADOS


Aqui, seca.
Folhas caídas...
Corações iluminados!
Dedicado a Julia Faquini
LF e RF

06 setembro 2010

CUPIM ZENGOIANO







Diz-se dos goianos que somos ruins de acabamento. 
Me restou incorporar o adjetivo, relaxar e ver beleza nisso. 
Afinal o cerratense não tem bosques de coníferas para mirar.
RF

28 agosto 2010

Cerrado
 
Hoje, na nossa caminhada matinal, dei de cara com algo parecido com um vulcão.
Andando por aqui, se encontram monstros alados, seres descomunais, edifícios africanos, desfiladeiros e canyons que só em Marte para ter iguais...
Mas esse de hoje não era nenhum vulcão. Era a chaminé de uma usina nuclear, dando conta da infinitude do cerrado, mesmo quando, e ainda que, incinerado.



Infinitude no cerrado
Mesmo quando calcinado



RF

23 agosto 2010

Tiago um ano e meio (1984)
 
o avião do Tiago voa p'ro ninho
para e bebe água no caminho
tudo isso, por ser muito pequenininho...
papai ama
de fininho
RF

21 agosto 2010

19 agosto 2010

Anjo

Acabo de alforriar um anjo.
Por seu amor e dedicação, me senti em dívida na hora da despedida.
Depois de um longo e afetuoso aperto de mãos, disse-lhe:
Você foi muito corajoso,
Estou orgulhoso de você...
Agora vai.
A recompensa vem com tempo!
Me beijou na fronte e se desfez numa aragem de ternura.
O que os anjos dizem e fazem, é desdizer e desfazer nossas bobagens.
Com eles por perto, nos indulgimos e confortamo-nos escamando pecados e nos vendo em espelhos côncavos, que nos refletem altos e esbeltos.

RF,
Agosto, 2010

16 agosto 2010

RE VIAGEM AO REINO MÁGICO DOS KALUNGA

Uma viagem ao nosso próprio interior. À nossa vontade de ver. E rever. E ver de novo!
É assim, se entregando, resfolegando, respirando, banhando em águas puras que se reviaja.
Essa é uma proposta para quem quer se reciclar...
RF






14 agosto 2010

Segundo Dia da Sua Ida aos Kalunga

Ontem trabalhei o dia todo removendo os arquivos do velho Mac para o novo. Paralelamente scaneei alguns cromos para nossa série Hundred. Coloquei o velho Mac na linda bancada que você fez, o que facilitou bem o meu trabalho.
Fiz uma ótima chalá e um pão integral nem tão perfeito.
No final do dia comecei a preparar um spaghetti com shitake aguardando a chegada do Tiago.
Tiago chegou com o Zion. A Tulipa ficou toda oriçada e o Rolinho quis protestar, mas o Zion não estava nem aí.
Jantamos muito bem e vimos um  filminho bobo na TV.
Levantei hoje cedo e fui dar uma volta com o Zion como nos velhos tempos. Fiz todo o ritual de alimentação dos bichos. Bananas, laranja e quirera para os passarinhos, ração para cães e iogurte para a gata.
Estava preparando o café da manhã quando os cachorros começaram a latir vigorosamente. Fui ver e era um bando de vacas no terreno inclinado ali da frente de casa. Nisso o Tiago acordou e fomos tocar as vacas. Ele abriu o colchete e conseguimos conduzir elas para fora.
Um pouco mais tarde estávamos jogando sinuca e eis que as vacas entram todas de novo passando pelo mata burro! Aí desistimos e deixamos elas por aí mesmo.
Depois do almoço o Tiago foi para a cidade. Li um pouco e já estava na hora de aguar a horta. Como não estou podendo carregar peso fiquei horas carregando o regador pela metade até molhar os canteiros.
Antes de escurecer catei uns gravetos e lenha para quando Tomás, Camila e Hugo chegarem (se chegarem) a gente acender o fogo. 
Olhei para o céu rosado com uma pequena lua crescente lá em cima e imaginei que aí, no Vão de Almas, você também estará vendo.
E agora, vou preparar um doce...
Liana




E a Seca Continua...
Hoje começou um novo ciclo. O dia se apresenta como se uma grande cortina de filó cobrisse o céu. Névoa seca e um ar esfumaçado empalidecem o céu e o horizonte. Lá se foram os dias límpidos de céu brilhante e azul do inverno no cerrado. Entramos no início da última fase do período da seca. A diversidade das cores do mês de agosto vai se empalidecendo, tornando-se a cada dia mais homogênea em seu tom poeirento e desidratado. Os pequenos mosquitos pium fazem sua investida, especialmente no período da tarde. Ainda temos a friagem da noite e da manhã. Mas será por pouco tempo. Na medida em que a Terra vai desentortando seu eixo, nos aproximando de novo do Sol, sentiremos o calor abrasador que inexorávelmente trará a esperada chuva. Entramos na fase de começar a desejá-la verdadeiramente.
Liana

20 abril 2010

Tratamento Naturopático

Como o blog anda meio inativo, vou aproveitar para usá-lo relatando as experiências que tenho vivenciado com o tratamento naturopático e que está completando 05 meses.

Começo com um pequeno relato do almoço de hoje.

Não tinha muita idéia do que fazer, mas era imperioso aproveitar algumas coisas da geladeira.

Peguei a tigelinha com um pouco de quinoa cozida em água e sal.
Resolvi fazer uma salada.
juntei:
01 cenoura pequena ralada
01 pepino
uns tantos tomatinhos pequeninos picados
um pouco de alho porró picadinho
sal e limão.

Com as pontas da cenoura fiz um caldo de legumes, usando um pouco de folhas de salsão e partes verdes do alho porró. Coloquei um pedaço de cebola que estava rolando na geladeira e coloquei tambem uma abóbora em pedaços para cozinhar nesse caldo.

Com um bagaço de amêndoas que já estava há tres dias na geladeira, fiz uma farofinha com alho porró picado. (o bagaço de amêndoas é o que sobra quando quando batemos no liquidificador as amêndoas descascadas com água e coamos em pano ou peneira fininha para fazer o leite de amêndoas),

Esquentei arroz integral e feijão azuki que já estavam prontos. Fiz um purê da abóbora cozida no caldo de legumes.

Ficou tudo uma delícia e lamentei profundamente estar sozinha. Na verdade minha gata Vanda ficou do meu lado beliscando de tudo. Ela adorou a comidinha vegetariana.

06 junho 2009






O Último Olhar sobre Serra da Mesa


No teatro de Serra da Mesa me sentia no trono daquele grande coliseu, vendo as faces dos titãs que me diziam: “Ave Rui, os que vão ser inundados te saúdam”.
A água do Tocantins que corria rápida em movimentos luxuriantes era uma entidade viva que além dos muitos prodígios, dizia seu João – o barqueiro , também comia gente...
Enquanto a miríade de seres vivos dava o ar de sua graça, tombava com grande resistência um belo jatobá justificando o aproveitamento, para o bem do homem de tão assustador empreendimento!
Coletei um pouco da água da foz do córrego do Boa Nova sem nenhuma intenção, mas com grande emoção. Acho que o que senti ali era puro misticismo. Via naqueles totens, dolmens e máscaras as almas penadas dos mártires dos sucessivos massacres dos Ava-canoeiros perpetrados nessas redondezas.
Ali, o canto dos pássaros não é inocente. O pio de um bem-te-vi soa como um alarme. Às treze em ponto a explosão. A rocha de granito grita ribombos histéricos que soam como rasgos de setas invisíveis por entre tudo e sem o menor respeito!
O pássaro, que na primeira explosão terá se assustado, hoje canta fingindo indiferença. Ou será choro o canto da cotovia? Como ninguém sabia?
Como é que sendo hoje o dia aprazado para o fechamento das comportas de Serra da Mesa não há uma só menção em toda a mídia? Como é possível que tamanhas e tantas explosões não sejam ouvidas no mundo inteiro? Estamos na internet e nada!
Esse é o mais estrondoso silêncio que já ouvi.

Rui Faquini
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