20 abril 2010

Tratamento Naturopático

Como o blog anda meio inativo, vou aproveitar para usá-lo relatando as experiências que tenho vivenciado com o tratamento naturopático e que está completando 05 meses.

Começo com um pequeno relato do almoço de hoje.

Não tinha muita idéia do que fazer, mas era imperioso aproveitar algumas coisas da geladeira.

Peguei a tigelinha com um pouco de quinoa cozida em água e sal.
Resolvi fazer uma salada.
juntei:
01 cenoura pequena ralada
01 pepino
uns tantos tomatinhos pequeninos picados
um pouco de alho porró picadinho
sal e limão.

Com as pontas da cenoura fiz um caldo de legumes, usando um pouco de folhas de salsão e partes verdes do alho porró. Coloquei um pedaço de cebola que estava rolando na geladeira e coloquei tambem uma abóbora em pedaços para cozinhar nesse caldo.

Com um bagaço de amêndoas que já estava há tres dias na geladeira, fiz uma farofinha com alho porró picado. (o bagaço de amêndoas é o que sobra quando quando batemos no liquidificador as amêndoas descascadas com água e coamos em pano ou peneira fininha para fazer o leite de amêndoas),

Esquentei arroz integral e feijão azuki que já estavam prontos. Fiz um purê da abóbora cozida no caldo de legumes.

Ficou tudo uma delícia e lamentei profundamente estar sozinha. Na verdade minha gata Vanda ficou do meu lado beliscando de tudo. Ela adorou a comidinha vegetariana.

06 junho 2009






O Último Olhar sobre Serra da Mesa


No teatro de Serra da Mesa me sentia no trono daquele grande coliseu, vendo as faces dos titãs que me diziam: “Ave Rui, os que vão ser inundados te saúdam”.
A água do Tocantins que corria rápida em movimentos luxuriantes era uma entidade viva que além dos muitos prodígios, dizia seu João – o barqueiro , também comia gente...
Enquanto a miríade de seres vivos dava o ar de sua graça, tombava com grande resistência um belo jatobá justificando o aproveitamento, para o bem do homem de tão assustador empreendimento!
Coletei um pouco da água da foz do córrego do Boa Nova sem nenhuma intenção, mas com grande emoção. Acho que o que senti ali era puro misticismo. Via naqueles totens, dolmens e máscaras as almas penadas dos mártires dos sucessivos massacres dos Ava-canoeiros perpetrados nessas redondezas.
Ali, o canto dos pássaros não é inocente. O pio de um bem-te-vi soa como um alarme. Às treze em ponto a explosão. A rocha de granito grita ribombos histéricos que soam como rasgos de setas invisíveis por entre tudo e sem o menor respeito!
O pássaro, que na primeira explosão terá se assustado, hoje canta fingindo indiferença. Ou será choro o canto da cotovia? Como ninguém sabia?
Como é que sendo hoje o dia aprazado para o fechamento das comportas de Serra da Mesa não há uma só menção em toda a mídia? Como é possível que tamanhas e tantas explosões não sejam ouvidas no mundo inteiro? Estamos na internet e nada!
Esse é o mais estrondoso silêncio que já ouvi.

Rui Faquini
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15 maio 2009

O Pioneiro

Como um crente, o pioneiro professa uma espécie de religião que o coloca numa categoria.
Ele não é necessariamente aquele que chega primeiro, mas o que permanece acreditando e fazendo de tudo à sua volta “o sonho” a ser realizado. Está presente em todos os ramos da atividade humana; seja nas artes, ciência ou qualquer epopéia. Existem exemplos magníficos de pioneirismo ao longo da história e em qualquer lugar do planeta.
Portanto, ser pioneiro é antes de tudo um estado de espírito, uma psique de role especial.
A epopéia de Brasília propiciou a oportunidade para a observação de inúmeros desses seres com sangue nômade e paradoxalmente buscando assentamento, mas feito a seu modo, e pelas próprias mãos, para descanso da alma.
A utopia na ponta da vara puxando a carroça.
Em Brasília, é sempre bom lembrar, há uma confusão quanto a qualificação de pioneiro porque se atenta muito para a distinção entre pioneiro histórico, e os outros. Os quais nunca pararam de chegar.
Mas pioneiro é pioneiro. Histórico ou não, jovem ou velho, rico ou pobre. É, como disse uma característica como qualquer outra. Ele é altruísta, constrói para si e para os outros, não busca riquezas – como um bandeirante – mas quando encontra, divide. Não almeja o senhorio e sim a honra. Não reclama das agruras ao seu redor e traz sempre para si a responsabilidade. Como o nômade, a sua segurança está na disponibilidade e capacidade de fazer, antes que na conta bancária.
Enquanto pioneiro de Brasília, vi poucas e boas. Hoje cinqüenta e um anos depois me sinto como no primeiro dia: responsável pela parte que ajudei e ainda ajudo a construir, sem ter tido tempo para pensar em mim. Sim, porque o pioneiro se sente amparado pelos deuses e tem certeza de que nada nunca lhe faltará. Basta olhar nossos pioneiros históricos; são longevos e nenhum deles amealhou fortuna. Já flagrei alguns dizendo com orgulho serem “piotários”.
Ele não caça culpados. Resolve como pode as situações adversas. Em alguns casos seu DNA perpetua e passa de pai para filho a sua condição.
É como ser cigano às avessas.
Uma turma da qual pouco se fala é a das pioneiras sexuais. Em Brasília, na Cidade Livre, ao final da Avenida Central, havia a “ponta de rua” chamada Placa da Mercedes um misto de cortiço, velho oeste, favela, acampamento, sei lá, onde se misturavam esgoto a céu aberto com poeira, tiros com música, jogos, sopapos, cheiros e cores. Ao lado de cada “bar” tinha um corredor com pinguelas de tábuas sobre a lama das lavagens dos clientes.
Embora fosse super proibida a entrada de menores, num belo domingo, de dia e disfarçado consegui ser “atendido”. O quarto de tábuas não aparelhadas, mas cheirosas de tinta – nessa época, Brasília cheirava a tinta – tinha frestas no piso por onde escorria a água usada. No canto uma bacia esmaltada ao lado de um balde d’água. A cama, um catre de ripas com colchão de chita recheado de capim –- sei porque cheirava – e um forro cobertor que na época era chamado sapecanigrim.
Sentei na cama, tremulo e suarento, já tramando uma fórmula de sair dali ileso. Tinha ido longe demais...
Ela rapidamente tirou e pendurou a roupa no prego mais próximo. Deitou um litro d’água na bacia, agachou sobre ela e fez um chap–chap (que na minha percepção alterada era um som ensurdecedor de baleias se debatendo). Jogou a água no assoalho, que escorreu toda. E, ainda esfregando uma duvidosa toalhinha, avançou sobre mim. Completamente assustado, atordoado entre a hipótese de não ser macho e o horror de ter que enfrentar a situação, preferi me acovardar. Atirei o dinheiro combinado sobre a cama e saí correndo.
Minhas dúvidas só foram sanadas meses mais tarde quando a Zuzu – a mais linda cabeleireira da cidade – resolveu me iniciar nas lides de homem.
Nesse mesmo domingo à tarde, fruindo aquele mundo proibido, vi cenas inesquecíveis, como uma pequena algazarra em torno de um lambe-lambe que tirava fotos dos peões com as meninas. Elas cobravam caríssimo para posar mas os homens em fila esperavam pela vez e pagavam felizes.
Ao final do dia, numa briga, um soldado da GEB matou outro da aeronáutica. Chegou o pelotão de choque e corri das minhas primeiras cenas de guerra...

11 novembro 2006


O atalho

Quando o Brasil se interiorizou pela força do ouro, da ganância e do desdouro, uma coisa ficou clara. Era a de quem podia e quem não podia regressar. Parecia com um naufrágio. A idéia era ficar à tona. Enquanto náufragos, os interiorizados, sentiam saudade da metrópole. Essa sensação arquetipica passou geneticamente pelas gerações. Houve vergonhas, traições e temores. Horrores. Mas é genético. É da nossa programação cultura que, se for para naufragar, que seja em Copacabana. É como se o culpado voltasse à cena do crime. Assim é que todos os velhos brasileiros da atualidade gostariam de ser aposentados em Copacabana. Ah, Copacabana! Quantas mentiras, quantos crimes ecológicos, quanta ilusão! Chega a ser pornográfica a idéia de Copacabana nas mentes enfurnadas e enfumaçadas do interior brasileiro. Tergiversam, desconversam, tremem e se recompõem, mas no meio da bruma, lá está o farol genético e indelével de Copacabana a guiar náufragos cegos rumo ao sonho tosco, que nem sequer sabem sonhar, pois que ao naufrago não é dado ter lastro. Não é permitido pisar, pois não tem chão. Pela distancia estabelece-se a ignorância, daí o rompante e a prepotência. Até a morte é escamoteada na vã busca. Ai de nós, goianos excrescentes, quando não sabemos de nós, quando não reconhecemos o nosso chão, quando não valorizamos o nosso fundo de quintal.
Viva o atalho!

O atalho de que falo não é um “pulo do gato”. É uma estrada estreita e solitária que vai dar no panteão que todos temos no peito. É profunda solidariedade e humildade perante nós mesmos. Pois o desrespeito arrasa a auto estima e faz com que vivamos como zumbis desterrados a arrotar caviar na esteira dos acontecimentos já acontecidos em outros povos e lugares...
O atalho de que falo e que nos levará direto a nós mesmos, nos fará donos legítimos até das riquezas mais óbvias como Amazônia, biodiesel, culturas Ge, etc...
O atalho nos fará compreender a UDN, o Diogo Mainardi, e até a privatização de nossas praias antes que aconteça. O atalho não é estar entricheirado ao rés do chão armado de uma boa zarabatana!
É compreensão mesmo. É confiança ao invés de esperança, é assumir responsabilidades de foro intimo, é não ter sigilo a ser quebrado, é andar de pé no chão mas de cara e coração limpos.
É comer feijão e arrotar biodiesel, é transportar para dentro de si todos os deuses, degluti-los e vomitar amor, adubo do novo homem!
Você já notou que o templo de Angkor é a mãe da Sagrada Família e do Art decó? E que a Bauhaus e o dodecafônico vieram direto da China de Marco Pólo? E que a semana de 22 foi engendrada lá por volta de 1900 nas fronteiras da universidade de “Heil Del Berg”? Que Brasília é a utopia do século XIX?
Hora, gente. Ó Xente! Ainda vamos ser modernos?
De novo?
Não!
Moderno é o Vietnã atual...
Queiramos ser clássicos como os nossos índios! Só assim seremos importantes como serão os chineses e os hindus do futuro.


Rui
ps é melhor falar bobagens do que ser mudo.
é melhor ouvir bobagens do que ser surdo.

16 setembro 2006

Exposição A Epopéia de Brasília no aeroporto de Confins em Belo Horizonte
Mercedes Urquiza fazendo o discurso na abertura
O Superintendente da Infraero, Mercedes Urquiza, Nazareth e Rui Faquini