23 agosto 2010

Tiago um ano e meio (1984)
 
o avião do Tiago voa p'ro ninho
para e bebe água no caminho
tudo isso, por ser muito pequenininho...
papai ama
de fininho
RF

21 agosto 2010

19 agosto 2010

Anjo

Acabo de alforriar um anjo.
Por seu amor e dedicação, me senti em dívida na hora da despedida.
Depois de um longo e afetuoso aperto de mãos, disse-lhe:
Você foi muito corajoso,
Estou orgulhoso de você...
Agora vai.
A recompensa vem com tempo!
Me beijou na fronte e se desfez numa aragem de ternura.
O que os anjos dizem e fazem, é desdizer e desfazer nossas bobagens.
Com eles por perto, nos indulgimos e confortamo-nos escamando pecados e nos vendo em espelhos côncavos, que nos refletem altos e esbeltos.

RF,
Agosto, 2010

16 agosto 2010

RE VIAGEM AO REINO MÁGICO DOS KALUNGA

Uma viagem ao nosso próprio interior. À nossa vontade de ver. E rever. E ver de novo!
É assim, se entregando, resfolegando, respirando, banhando em águas puras que se reviaja.
Essa é uma proposta para quem quer se reciclar...
RF






14 agosto 2010

Segundo Dia da Sua Ida aos Kalunga

Ontem trabalhei o dia todo removendo os arquivos do velho Mac para o novo. Paralelamente scaneei alguns cromos para nossa série Hundred. Coloquei o velho Mac na linda bancada que você fez, o que facilitou bem o meu trabalho.
Fiz uma ótima chalá e um pão integral nem tão perfeito.
No final do dia comecei a preparar um spaghetti com shitake aguardando a chegada do Tiago.
Tiago chegou com o Zion. A Tulipa ficou toda oriçada e o Rolinho quis protestar, mas o Zion não estava nem aí.
Jantamos muito bem e vimos um  filminho bobo na TV.
Levantei hoje cedo e fui dar uma volta com o Zion como nos velhos tempos. Fiz todo o ritual de alimentação dos bichos. Bananas, laranja e quirera para os passarinhos, ração para cães e iogurte para a gata.
Estava preparando o café da manhã quando os cachorros começaram a latir vigorosamente. Fui ver e era um bando de vacas no terreno inclinado ali da frente de casa. Nisso o Tiago acordou e fomos tocar as vacas. Ele abriu o colchete e conseguimos conduzir elas para fora.
Um pouco mais tarde estávamos jogando sinuca e eis que as vacas entram todas de novo passando pelo mata burro! Aí desistimos e deixamos elas por aí mesmo.
Depois do almoço o Tiago foi para a cidade. Li um pouco e já estava na hora de aguar a horta. Como não estou podendo carregar peso fiquei horas carregando o regador pela metade até molhar os canteiros.
Antes de escurecer catei uns gravetos e lenha para quando Tomás, Camila e Hugo chegarem (se chegarem) a gente acender o fogo. 
Olhei para o céu rosado com uma pequena lua crescente lá em cima e imaginei que aí, no Vão de Almas, você também estará vendo.
E agora, vou preparar um doce...
Liana




E a Seca Continua...
Hoje começou um novo ciclo. O dia se apresenta como se uma grande cortina de filó cobrisse o céu. Névoa seca e um ar esfumaçado empalidecem o céu e o horizonte. Lá se foram os dias límpidos de céu brilhante e azul do inverno no cerrado. Entramos no início da última fase do período da seca. A diversidade das cores do mês de agosto vai se empalidecendo, tornando-se a cada dia mais homogênea em seu tom poeirento e desidratado. Os pequenos mosquitos pium fazem sua investida, especialmente no período da tarde. Ainda temos a friagem da noite e da manhã. Mas será por pouco tempo. Na medida em que a Terra vai desentortando seu eixo, nos aproximando de novo do Sol, sentiremos o calor abrasador que inexorávelmente trará a esperada chuva. Entramos na fase de começar a desejá-la verdadeiramente.
Liana

20 abril 2010

Tratamento Naturopático

Como o blog anda meio inativo, vou aproveitar para usá-lo relatando as experiências que tenho vivenciado com o tratamento naturopático e que está completando 05 meses.

Começo com um pequeno relato do almoço de hoje.

Não tinha muita idéia do que fazer, mas era imperioso aproveitar algumas coisas da geladeira.

Peguei a tigelinha com um pouco de quinoa cozida em água e sal.
Resolvi fazer uma salada.
juntei:
01 cenoura pequena ralada
01 pepino
uns tantos tomatinhos pequeninos picados
um pouco de alho porró picadinho
sal e limão.

Com as pontas da cenoura fiz um caldo de legumes, usando um pouco de folhas de salsão e partes verdes do alho porró. Coloquei um pedaço de cebola que estava rolando na geladeira e coloquei tambem uma abóbora em pedaços para cozinhar nesse caldo.

Com um bagaço de amêndoas que já estava há tres dias na geladeira, fiz uma farofinha com alho porró picado. (o bagaço de amêndoas é o que sobra quando quando batemos no liquidificador as amêndoas descascadas com água e coamos em pano ou peneira fininha para fazer o leite de amêndoas),

Esquentei arroz integral e feijão azuki que já estavam prontos. Fiz um purê da abóbora cozida no caldo de legumes.

Ficou tudo uma delícia e lamentei profundamente estar sozinha. Na verdade minha gata Vanda ficou do meu lado beliscando de tudo. Ela adorou a comidinha vegetariana.

06 junho 2009






O Último Olhar sobre Serra da Mesa


No teatro de Serra da Mesa me sentia no trono daquele grande coliseu, vendo as faces dos titãs que me diziam: “Ave Rui, os que vão ser inundados te saúdam”.
A água do Tocantins que corria rápida em movimentos luxuriantes era uma entidade viva que além dos muitos prodígios, dizia seu João – o barqueiro , também comia gente...
Enquanto a miríade de seres vivos dava o ar de sua graça, tombava com grande resistência um belo jatobá justificando o aproveitamento, para o bem do homem de tão assustador empreendimento!
Coletei um pouco da água da foz do córrego do Boa Nova sem nenhuma intenção, mas com grande emoção. Acho que o que senti ali era puro misticismo. Via naqueles totens, dolmens e máscaras as almas penadas dos mártires dos sucessivos massacres dos Ava-canoeiros perpetrados nessas redondezas.
Ali, o canto dos pássaros não é inocente. O pio de um bem-te-vi soa como um alarme. Às treze em ponto a explosão. A rocha de granito grita ribombos histéricos que soam como rasgos de setas invisíveis por entre tudo e sem o menor respeito!
O pássaro, que na primeira explosão terá se assustado, hoje canta fingindo indiferença. Ou será choro o canto da cotovia? Como ninguém sabia?
Como é que sendo hoje o dia aprazado para o fechamento das comportas de Serra da Mesa não há uma só menção em toda a mídia? Como é possível que tamanhas e tantas explosões não sejam ouvidas no mundo inteiro? Estamos na internet e nada!
Esse é o mais estrondoso silêncio que já ouvi.

Rui Faquini
Adicionar vídeo

























15 maio 2009

O Pioneiro

Como um crente, o pioneiro professa uma espécie de religião que o coloca numa categoria.
Ele não é necessariamente aquele que chega primeiro, mas o que permanece acreditando e fazendo de tudo à sua volta “o sonho” a ser realizado. Está presente em todos os ramos da atividade humana; seja nas artes, ciência ou qualquer epopéia. Existem exemplos magníficos de pioneirismo ao longo da história e em qualquer lugar do planeta.
Portanto, ser pioneiro é antes de tudo um estado de espírito, uma psique de role especial.
A epopéia de Brasília propiciou a oportunidade para a observação de inúmeros desses seres com sangue nômade e paradoxalmente buscando assentamento, mas feito a seu modo, e pelas próprias mãos, para descanso da alma.
A utopia na ponta da vara puxando a carroça.
Em Brasília, é sempre bom lembrar, há uma confusão quanto a qualificação de pioneiro porque se atenta muito para a distinção entre pioneiro histórico, e os outros. Os quais nunca pararam de chegar.
Mas pioneiro é pioneiro. Histórico ou não, jovem ou velho, rico ou pobre. É, como disse uma característica como qualquer outra. Ele é altruísta, constrói para si e para os outros, não busca riquezas – como um bandeirante – mas quando encontra, divide. Não almeja o senhorio e sim a honra. Não reclama das agruras ao seu redor e traz sempre para si a responsabilidade. Como o nômade, a sua segurança está na disponibilidade e capacidade de fazer, antes que na conta bancária.
Enquanto pioneiro de Brasília, vi poucas e boas. Hoje cinqüenta e um anos depois me sinto como no primeiro dia: responsável pela parte que ajudei e ainda ajudo a construir, sem ter tido tempo para pensar em mim. Sim, porque o pioneiro se sente amparado pelos deuses e tem certeza de que nada nunca lhe faltará. Basta olhar nossos pioneiros históricos; são longevos e nenhum deles amealhou fortuna. Já flagrei alguns dizendo com orgulho serem “piotários”.
Ele não caça culpados. Resolve como pode as situações adversas. Em alguns casos seu DNA perpetua e passa de pai para filho a sua condição.
É como ser cigano às avessas.
Uma turma da qual pouco se fala é a das pioneiras sexuais. Em Brasília, na Cidade Livre, ao final da Avenida Central, havia a “ponta de rua” chamada Placa da Mercedes um misto de cortiço, velho oeste, favela, acampamento, sei lá, onde se misturavam esgoto a céu aberto com poeira, tiros com música, jogos, sopapos, cheiros e cores. Ao lado de cada “bar” tinha um corredor com pinguelas de tábuas sobre a lama das lavagens dos clientes.
Embora fosse super proibida a entrada de menores, num belo domingo, de dia e disfarçado consegui ser “atendido”. O quarto de tábuas não aparelhadas, mas cheirosas de tinta – nessa época, Brasília cheirava a tinta – tinha frestas no piso por onde escorria a água usada. No canto uma bacia esmaltada ao lado de um balde d’água. A cama, um catre de ripas com colchão de chita recheado de capim –- sei porque cheirava – e um forro cobertor que na época era chamado sapecanigrim.
Sentei na cama, tremulo e suarento, já tramando uma fórmula de sair dali ileso. Tinha ido longe demais...
Ela rapidamente tirou e pendurou a roupa no prego mais próximo. Deitou um litro d’água na bacia, agachou sobre ela e fez um chap–chap (que na minha percepção alterada era um som ensurdecedor de baleias se debatendo). Jogou a água no assoalho, que escorreu toda. E, ainda esfregando uma duvidosa toalhinha, avançou sobre mim. Completamente assustado, atordoado entre a hipótese de não ser macho e o horror de ter que enfrentar a situação, preferi me acovardar. Atirei o dinheiro combinado sobre a cama e saí correndo.
Minhas dúvidas só foram sanadas meses mais tarde quando a Zuzu – a mais linda cabeleireira da cidade – resolveu me iniciar nas lides de homem.
Nesse mesmo domingo à tarde, fruindo aquele mundo proibido, vi cenas inesquecíveis, como uma pequena algazarra em torno de um lambe-lambe que tirava fotos dos peões com as meninas. Elas cobravam caríssimo para posar mas os homens em fila esperavam pela vez e pagavam felizes.
Ao final do dia, numa briga, um soldado da GEB matou outro da aeronáutica. Chegou o pelotão de choque e corri das minhas primeiras cenas de guerra...